Livro Anonymous

Qualquer estudo que se preze sobre os Anonymous já nasce velho e incompleto. Em meu caso, não pôde ser diferente. Não é preciso acompanhá-los de perto por muito tempo até se dar conta de que é sumariamente impossível pensar em capturar – quem dirá em tempo real – todas as nuances de uma rede distribuída e difusa, cujos nós se esvaem com a mesma velocidade com que se fizeram. “Anonymous”, se pudesse ser definido em poucas palavras, resultaria nisto: multiplicidade, potência e, é claro, anonimato.

Comecei a seguir alguns nichos brasileiros identificados com a ideia Anonymous ainda em 2011, pouco antes de ingressar no curso de mestrado – cujos resultados, com algumas poucas modificações, deram vida a este livro. À época, o movimento ainda era incipiente no Brasil e pude acompanhar em linhas gerais sua gradual evolução, bem como todos os desafios e contradições inerentes a qualquer processo do gênero. Ao finalizar o estudo, no primeiro semestre de 2013, argumentei que os Anons brasileiros estavam em uma fase de dispersão, mas certo de que aquele era apenas um período de latência, de que um novo arranjo despontaria em breve.

Assim se fez em junho daquele ano, quando uma onda de protestos tomou conta do país. Ali os Anonymous voltaram a mostrar que, para o bem ou para o mal, são atores políticos cuja relevância não deveria ser desprezada. Embora merecesse um capítulo (ou outro livro) à parte por sua importância e complexidade, a ação do coletivo nas manifestações de junho não pôde ser contemplada neste trabalho, defendido em abril de 2013.

E, apesar de este estudo se focar especialmente na faceta hacktivista e brasileira dos Anonymous, acredito que tenha sido capaz de trazer um mapa possível do movimento como um todo, aqui caracterizado como uma rede extremamente heterogênea e distribuída de grupos e indivíduos espalhados por todo o mundo, carente de centro geográfico ou de núcleo central de comando, e que abarca virtualmente a todos, a despeito de alguns hábitos e rotinas próprios. Outro ponto importante defendido pelo texto é de que, na sociedade de controle trazida à luz por Gilles Deleuze, permeada por Assanges e Snowdens, na qual todas as informações são digitalizadas e, irrefutavelmente, monitoradas, o ativismo hacker se coloca na vanguarda da resistência política quando promove a criptografia, o anonimato, a transparência e o vazamento de informações então consideradas “segredo de Estado”.

Que este primeiro estudo sobre os Anonymous publicado no Brasil enseje muitos outros, e que passemos a refletir seriamente sobre as novas formas de participação política, independentemente de nossas posições pessoais em relação a elas.

Como comprar

O livro está disponível para compra em diversas livrarias, mas você pode ter acesso gratuito ao conteúdo básico baixando minha dissertação de Mestrado.

 

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